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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


Fantasmas de vivos


Certos fenômenos pesquisados pela parapsicologia revelam que fantasmas podem surgir de vivos, através de uma fantasmogênese do que parece ser uma projeção psíquica de um paranormal. Também o ocultismo revela que o mago pode trabalhar com uma criação mental sua e fazer que esse ente quase material ou vaporoso se manifeste à distância, o que alguns entendem erroneamente sempre como espíritos de mortos ou desencarnados. Isso sem falar que muitos desses espíritos são na verdade elementais e cascas astrais da memória de pessoas que sim, morreram, mas que não mais possuem controle sobre esse “defunto” espiritual. Mas a projeção dessa contraparte vaporosa ou ectoplasmática já foi estudada e provada em muito em “materializações”, algumas até fotografadas, e também o espiritismo contribuiu muito com esses fenômenos. Os elementais usam da personalidade dos mortos, em ocultismo. Mas voltando a parapsicologia, percebemos que o ectoplasma é um fluido vital que se projeta do paranormal e pode fazer proezas. Isso em não só imitar partes do corpo, como o corpo inteiro, à alguma distância do sensitivo. Mas os fantasmas se devem muitos a vivos porque sempre ou quase projetamos em sonho nosso corpo astral, e assim ele nem sempre é invisível. Também em filmagens e fotografias vemos com mais frequência essas aparições, apesar de ali poder ser ideoplasmia, um outro fenômeno, de projeção do pensamento na fotografia ou vídeo. Mas se falarmos em um paranormal que não sabe, e o mesmo projeta de forma psíquica em algum lugar o seu ectoplasma, formando a imagem de si mesmo ou de outra personalidade, vemos que isso não constitui espírito de morto. Também que o local pode ainda guardar uma memória de acontecimento traumático, repetindo esse fato de forma padronizada, sendo percebido pelos mais sensíveis. Isso também constitui fenômeno paranormal. Mas o mundo astral é vasto na forma de seres, aqui apenas restando que o paranormal pode criar algo e projetar, e que isso surge dele mesmo, e não de um mundo do além ou mesmo extraterrestre.

 (Trecho de livro meu)





terça-feira, 13 de novembro de 2012

Filosofia Medieval

FILOSOFIA MEDIEVAL




Vemos no período chamado das trevas alguma produção teórica, mesmo que seja numa teologia desvirtuada, seja em criação de máquinas, mesmo que para uso duvidosos como para a questão, na Inquisição, através de tortura.
O período medieval tentou conciliar razão e a fé, tendo em Santo Agostinho o grande defensor desse crer para compreender.
A filosofia assim se tornou apenas uma serva da religião, ou da teologia. Vemos que mesmo assim temos uma boa reflexão sobre a metafísica, sobre Platão e Aristóteles, que são cristianizados em, suas teorias metafísicas. Nietzsche chegou a falar que o cristianismo não passava de um platonismo para o povo, talvez se referindo a esse período.
Tomás de Aquino também concilia a razão e a fé, e leva Aristóteles a uma sintonia com cristianismo. Ele prova a existência de Deus pela causalidade. A natureza seria a ordem das coisas, e Deus a primeira causa de tudo. Vemos que ele discorria muito também sobre anjos. Também distingue Estado de Igreja, o que é produtivo para posterior secularização do mesmo Estado. E a felicidade segundo ele está unicamente na contemplação da verdade, não em bens materiais ou no corpo, diversamente de nosso atual tempo, onde se investe mais que tudo em estética, sendo o Brasil um dos campeões mundiais nesse sentido.
No fim da Idade Média surge a imprensa, e dessa forma se pode propagar mais o conhecimento teórico e filosófico. Acontece que enquanto no oriente serviu para orações budistas e taoistas, no ocidente de início não emplacou a impressão de livros, existindo antes as cartas de jogo ou adivinhação, o tarô. Com a impressão se multiplicou o acesso e o público no aceso ao conhecimento, que antes era bem restrito.
A descoberta do Novo Mundo também quebrou em muito as noções de Ptolomeu e das Sagradas Escrituras, se tomadas no sentido literal. Com colombo houve uma revolução, uma verdadeira viagem espacial. Uma nova história e geografia surgia.
Também circulou a obra de Flávio Josepho, o que revelou a história judaica, entes desconhecida em muito. Isso era positivo, porque revelava também a história dos primeiros cristãos, e ainda era uma prova da existência e obras de Jesus de uma outra fonte, fora o que dizia a Igreja. Muita coisa escrita por Paulo foi corrigida.
A Vulgata estava com erros de tradução, descobertos por Lorenzo Valla, tal trabalho descoberto por Erasmo.
Acontece que era analfabeta a maioria da população, e de pouco adiantaria tantos livros e escritos impressos.


Vendas de livros se davam através de viajantes, e famosa foi a feira de Frankfurt. A alfabetização se dava muito em meios Calvinistas. Mas o livro estava muito caro, e na prática se pirateava e copiava, sendo que até Galileu usou de tal expediente.
Vemos além da tradução da Bíblia, a obra filosófica de Erasmo de Rotterdã, como destaque filosófico e de best seller da época, com seu Elogio a Loucura (ou da estultice), obra polêmica e com grande humor, fácil de se popularizar.
A obra mais vendida e popular na época foi Prognósticos, do médico João Lichtenberg, que se tratava de um livro sobre previsões, estrelas e destino do mundo. Falava sobre o anticristo e outras coisas. Chegou esse livro apocalíptico a ter 14 edições em alemão na época, período que seria descoberto o Brasil.
Outra obra que tomou fama com filme recente e que é medieval, é o “Martelo das Bruxas” (Jacob Sprenger), que serviu de manual para a caçada dessas mulheres, ou daquelas que eram suspeitas, que eram muitas. Era um manual de inquisidores. Vi um filme esses dias sobre Francisco Goya que retratavíra bem como eram tratadas as mulheres frende a obsessão de se perder o poder.
Isso sem falar em escritos de feitiçaria, grimórios, que misturavam o fantástico da época a criatividade artística e um pouco de cabalismo popular, com sabedoria pagã que se popularizou.
E Vesalius com suas obras de anatomia.
Também se vê na Divina Comédia, de Dante Aliguieri uma obra prima que concilia a poesia a uma filosofia de época. Assim coloca em choque a sabedoria dos homens e a sabedoria de Deus, condenado todas as quimeras e abusos de poder nos círculos do inferno. Há grande conhecimento da cultura pagã e mitologia nessa obra também.
Vemos Ockhan, Alberto Magno, Anselmo, Scotus e tantos outros que filosofaram nesse período.
Destaque fica a Péricles Prade, filósofo e poeta de Florianópolis, que trata do tema da filosofia medieval e renascentista, e em especial da alquimia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Cemitério e sua face oculta


Cemitério e sua face oculta



Cemitério vem da palavra grega que significava dormitório. Um amigo esotérico Andranamum) disse que significa semi-etérico, e ele vê inúmeros elementais e espíritos nesse local. Desta feita, quem cuida dos restos mortais são seres chamados de gnomos, e quase sempre rodeiam cemitérios com seus pontudos chapéus e barbas longas, semelhantes de papai-noel. Um foi inclusive fotografado na Argentina. O caixão era um barco e servia para guiar o morto no Hades (céu ou inferno), a fim de atravessar o rio que lá havia.
Mas o cemitério é muito útil, por ser uma referência a transição dimensional, e local de contato de diversas entidades. Seu guardião segundo a Umbanda é Calunga, e certos espíritos da linha de Exu's também guardam esses locais, além de os habitar, sendo os espíritos de aura vermelha. Diferem de demônios, mas quase sempre são confundidos com estes, por seus hábitos demasiado humanos, como gostos em relação a sexualidade, violência e bebidas.
Há quem fique com medo da morte, e veja no cemitério um local assustador. Vemos que a morte é natural, e observando esse 2 de Novembro se percebe que a vida renasce, tamanho o número de crianças que vêm junto a pais ao local de descanso. As almas assim necessitam de orações, de perdões e até missas, e muitas vezes isso em nosso atual tempo materialista é deixado de lado, de forma equivocada. Em muitos túmulos o clarividente consegue ver o corpo sutil do falecido flutuando, e até que se dissolva seu veículo material, fica esse “fantasma” de certa forma existente. Também no misticismo afro se chama de eguns os espíritos dos mortos, para diferenciar dos desencarnados humanos.
Vemos então que muitos desses seres do invisível, e que rodeiam cemitérios são na verdade elementais ou cascões do astral, os corpos energéticos muito apegados a corporeidade. Por isso de se assemelharem a ventos frios (sílfides), a alguma luz ou fogo (salamandras) e mesmo a mofos e marcas na terra (gnomos) ou umidade (ondinas). Talvez por eu compreender tanto a morte, seja para mim algo natural, e digo que estou preparado para esse momento. Somente temo as pessoas que amo e que ainda terei em relacionamento, o que gera sofrimento. Isso me aproximou a me avizinhar desse portal para a grande iniciação, que leva ao mundo verdadeiro, o espiritual e eterno, que temos um prelúdio nos sonhos, quando conscientes.
Vemos a vida que pulula e diversas famílias e casais passeando no cemitério, então a vida forma um ciclo, onde tudo se alimenta, onde a matéria exige uma renovação, haja vista a carne não herdar o Reino dos Céus. Então fico feliz em ter essa visa calma e espero ter contatos atômicos, seja com elementais, espíritos ou quem vier, guardando sempre respeito com esse local e pedindo autorização para ali adentrar. Também sempre protegido e evitando o excesso de sua frequência, e hoje eu aconselharia ao povo efetuar algum banho de sal grosso ou limpeza com incenso ou ervas. Finados é um portal para contatos com esse plano da quinta dimensão, mas não devemos confundir com a quarta (elemental), que se refere a outros seres do mundo invisível. Não se precisa falar que o local tem alto potencial mágico, e que em mãos erradas pode gerar grande mal. Mas uma oração e respeito, e o dormitório de nossos entes queridos está sempre guardado.



sexta-feira, 26 de outubro de 2012


Fraternidade Branca


A Fraternidade Branca é universalizante, inclusiva e por fim estimula ao desenvolvimento do livre pensador. Une as diferenças e estimula a tolerância e diversidade. Não é religião e nem política, mas tem membros políticos e religiosos. Na verdade é ela que estimula a participação, pois alguém precisa comandar.
Na Fraternidade Branca há a busca da evolução social e esta pode ser mal vista por tradicionalistas, bem como por fundamentalistas, assim revela que a mesma não tem dogma ou fundamentalismo.
Forma assim uma rede ou teia de ralações mais ampla que outros segmentos e instituições, colaborando com diálogos inter-religiosos e interpartidários, além de secularizando o governo.
Faz ainda a síntese do conhecimento antigo, das ciências ocultas e assim pode ser mal vista. Agrega assim diversas ordens de cavalaria, filosóficas. Também soma os saberes da renascença e do iluminismo, não afastando conhecimentos pagãos de seus saberes.
Tem na verdade seu foco, seja qual for a verdade, derrube ou não os dogmas há milênios defendidos. Também ensino como a cabala e tantos outros estão bem presentes nela, a teosofia e uma série de conhecimentos elevados e místicos.
Também a critica que ficou por parte de alguns é de não mais se ter a devida seleção para o ingresso, bem como seus encontros terem virado mais jantares que trocas para a evolução moral. Outra crítica é de se ter tornado demasiado materialista, perdendo um pouco de sua origem mística.
De início era uma só dividindo-se em duas. Uma foi para o campo mais místico e outra para o material ou econômico. Muitos integram ambas as fraternidades.
Reflete a Fraternidade Branca os mistérios solares, bem como segredos do funcionamento do universo, bem como as potencialidades humanas, a fim de desenvolver sua qualidade de vida.
A Fraternidade Branca reflete em plano visível o que a Grande Fraternidade Branca é no invisível. A GFB tem em seu meio os grandes mestres da humanidade, auxiliando de forma impessoal e não podendo ser invocados ou canalizados. Tal ajuda a evolução da humanidade, progresso em ciências e descobertas.
Por fim, vemos pessoas de grande notoriedade integrando a Fraternidade Branca, como políticos, artistas, atletas, advogados, médicos, juízes, delegados etc. Isso não significa algo demoníaco, porque justamente a busca da luz é o contrário de qualquer objetivo mesquinho. Claro que a proteção entre irmãos é bem maior que a quem não faz parte dessa ordem.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A economia, a religião e a política

  A economia, a religião e a política 

Há a evolução de um darwinismo biológico para um darwinismo legal. A religião protege o mais fraco, pois é o doente que precisa de médico, não os outros. Vemos que o que parece bonito em nossa Constituição Federal, e mesmo idealista e utópico, é apenas uma máscara para a lei dos mais fortes, ou mais espertos. A política revela bem esse modus vivendi. Falou Marx que: “Aos economistas burgueses parece-lhes que a produção funciona melhor com a polícia moderna do que, por exemplo, com a aplicação da lei do mais forte. Esquecem-se apenas de que a ‘lei do mais forte’ também constitui um direito e que é esse direito que sobrevive, com outra forma, naquilo a que chamam ‘Estado de direito’”.
Disse o anarquista Bakunin que: “O governo pela ciência torna-se tão impossível quanto o do direito divino, o do dinheiro ou da força brutal. Todos os poderes são, doravante, submetidos a uma crítica implacável. Homens nos quais nasceu o sentimento de igualdade não se deixam mais governar, aprendem a governar a eles mesmos”. Contrariamente, vemos que desacreditando já da igualdade formal e legal, vemos que aquela que se aproxima da realidade também esta apenas numa Utopia de Morus ou Cidade do Sol de Companela, senão na cidade de Agostinho de Hipona. E disse "a justiça humana substituirá a justiça divina" (Deus e o Estado). Vemos que pelo contrário, onde a justiça humana falha resta apenas a justiça divina para nos acolher.
Ademais, disse Erick Fromm que “O homem privilegiado, seja política, seja economicamente, é um homem depravado de espírito e de coração. Eis uma lei social que não admite nenhuma exceção e que se aplica tanto a nações inteiras quanto às classes, companhias e indivíduos. E a lei da igualdade, condição suprema da liberdade e da humanidade.” “um mínimo de satisfação deve ser proporcionado aos que são governados”. (O dogma de Cristo e outros ensaios). De certa modo a pessoa procura pela religião uma satisfação, não apenas de salvação, mas também do aqui e agora, satisfeito economicamente. E essa prática se constitui em uma política, em uma interação na cidade ou Estado.
Essa economia muitas vezes não está apenas na política partidária, mas está em uma série de atividades sociais, de grêmios desportivos a fraternidades, e cada vez mais vemos a força do conjunto. Na época do individualismo liberal se vê por outro lado um socialismo incógnito. Vemos que a maioria elege, e essa maioria não se constitui dos donos dos meios de produção. Há um sistema de pesos e medidas, de moderação, como se a democracia em si fosse o poder moderador. E a religião se constitui muitas vezes a veste existencial daqueles seres para que evitem a angústia.
Na obra “As 48 leis do poder” de Robert Greene e Joost Elfers, se diz na sétima: “FAÇA COM QUE OS OUTROS TRABALHAREM POR VOCÊ MAS SEMPRE FIQUE COM O CRÉDITO”. Nada mais certo que isto para alguns, pois a fama fica com um sacerdote ou representante político, mas quem trabalha é o servidor e aqueles missionários, que têm contato direto com o povo. Ficar com o crédito da vitória é fácil para um líder militar, mas se ele não estava no campo de batalha, não é honrado de tal crédito. Diz uma das leis para evitar o azarado e infeliz.
A religião tem a função de unir os homens, mas o defeito de unir aqueles que se assemelham. Já a fraternidade ou uma associação desportiva une pessoa de diferentes credos, auxiliando a maior amplitude de contatos, assim para a política se resumindo em mais votos e em mais oportunidade econômica. Na medida em que se restringe o acesso, bem como onde não se há um foco material, fica excluída em parte a oportunidade econômica. Mas Satanás ofereceu a Jesus todos os reinos desse mundo, ele não aceitando. Então a salvação espiritual é prejudicada por demasiado apego, bem como todos os vícios são armadilhas de Satanás.


Excerto para programa de filosofia na rádio Liberdade FM, 87,9, que apresenta junto a filósofo Dr. Cléverson Israel Minikovsky

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Espiritualidade difamada

Espiritualidade difamada


            Estranho como tradições santas e puras do oriente passam ao ocidente como espécie de prostituição ou mercantilismo. Mesmo em sociedades secretas já ouvi essa queixa, por parte de amigo e frequentador curioso que ingressou em uma onde havia sex magick. O mesmo vemos com a tradição do tantra, que passou aqui como sinônimo de sexualidade espiritualizada, mas que requer iniciação e extremo controle, o que nem de longe os operadores ocidentais suportariam. Isso também ocorre com outras espiritualidades, com interesses obscuros por traz do que antes servia a um contato com o Divino, com Deus ou a Deusa.
            Mas o tantra virou marca de DVD erótico, e vemos em um holismo algo bem distante do que o discipulado com mestres legítimos proporcionava. A tradição tântrica tem toda uma filosofia teórica e só muito distante estaria a prática no sentido corporal, que para muitos gurus é somente prática de mão esquerda, nunca algo de verdadeiro caminho de luz. Ao ocidente isso veio muito pela Gnose, e mais recentemente por fraternidades de iniciação, muitas que vieram do espaço norteamericano. Assim como religiões cristãs norteamericanas que acabaram com um culto indígena brasileiro e sua cultura, desde 1953, vemos que atualmente se quer por outro meio acabar com a legítima espiritualidade hindu.
            Tudo está à venda. Quando um verdadeiro adepto existe, ele deve ficar no total anonimato, para não se ver engolido pelo Satanás mercantilista, ou por uma espécie de Era de Kali, cada vez mais poderosa em nosso tempo. O excesso de liberdade proporcionou essa confusão, verdadeira prostituição não legítima. Verdadeiro caminho só parece perdurar com iniciação, talvez até individual e com nem um passo em falso, pois caminhos alternativos geram toda uma sorte de caos desnecessários. A não ser que seja caoismo, o que seria isso mesmo, um “tudo é permitido”, meio perigoso.
            Mas tanto o tantra, como o taoismo, estão presentes na America do Norte e aqui vêm meio que por influência dessa cultura, trazendo consigo certa libertinagem Cult e envolvendo uma classe média que se amplia. O mesmo se diga das igrejas cristãs populares, que enriqueceram por agora não serem mais tanto populares, por a classe média estar colocando o dízimo acima da fé desinteressada. As doutrinas são transformadas em heresias, claras heresias.
            Assim, apesar das propagandas tentadoras, deve o buscador ficar alerta que não é fácil um caminho verdadeiramente tântrico, ou mesmo gnóstico de mão direita. Também não ache o cristão que terá tudo dado de mãos beijadas, sem antes se humilhar a lavar os pés do mestre Jesus e dos seus irmãos. Nosso tempo prefere a porta larga, e cada vez está mais longe da porta estreita. Isso faz da espiritualidade algo prostituído, que nem mesmo Lilith sonharia, que judeus chamavam de rainha dos abortos e perversões. Por fim, esses caminhos tortuosos são formas de nos testar para que encontremos o caminho verdadeiro, seja em qual “morada” do Pai se encontre.  

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Filosofia da Linguagem

Filosofia da linguagem


A linguagem é mais do que se imagina. Gotlob Frege fala no problema da igualdade. Assim defende que é relação de sinais ou nomes. Para tanto, cita entendimento kantiano que se a=a nos leva a algo a priori, enquanto a=b, não. Assim, a relação de uma coisa consigo mesma e a relação que não se dá entre distintas.
Para Wittgenstein a linguagem deveria temer dar um mesmo nome para um mesmo objeto, e nunca para objetos distintos. A maior parte de proposições de filósofos vem da lógica da linguagem não compreendida. Fala-se sem sentido. Fazemos figuras dos fatos. Por outro lado, ondas sonoras e notação musical são exemplos de símbolos que não correspondem a fatos. Segundo Wittgentein, ainda, a filosofia não interpreta, apenas clarifica. E o universo de cada um seria a sua linguagem.
O fisicalismo de Carnap nos leva a diminuir a filosofia como matéria independente e aumenta o poderio da física. “Linguagem unitária para evitar a dispersão da ciência”. Qual seria essa linguagem unitária? Já para Deleuze, Wittgenstein teria estragado a filosofia. Outrossim, para Nietzsche: “Não existem fatos, existem somente interpretações de fatos”. Já para Pierce, o homem é um signo. Fala ainda em sua doutrina de primeiridade, secundidade e terceiridade.
Uma dupla negação constitui uma afirmação? ~~P =P? Posso falar, “não, não quero...” e isso significa que reforço o não. Porém, se eu falar que “nego negar a verdade”, posso estar falando que a afirmo. Pode ser o giro que volta ao mesmo lugar. Mas será o rio atravessado duas vezes o mesmo rio, se lembramos de Heráclito? A própria linguagem não seria uma metáfora?
O “Circulo de Viena” distinguiu a ciência da metafísica, e criou método para fazer essa distinção. O absurdo é que quando pensamos na filosofia e na ciência, sabemos que seu início se deu pelo que não era verificável, e que apenas após se começou a se verificar com o avanço tecnológico, como a questão do átomo e celular. A filosofia como uma semiótica: com sintaxe, semântica e pragmática. Parece que desejaram transformar a sabedoria em uma gramática.
Essa semiótica ou teoria do signo já existia desde Platão e Aristóteles. Existiu em ciências, como na medicina, em Galeno e na tecnologia, com a criptografia, criada por Tritemio. Platão na relação entre nome, ideia e coisa, e, Aristóteles entre signo certo, e signo incerto.
A renascença teve uma visão pansemiótica com Paracelso. Usa o homem, princípio interior e estrelas como símbolos para acompanhar Deus na mensagem do mundo. São as assinaturas, que podem ser identificadas no rosto, pela fisionomia (lembro que tenho livro sobre o tema, Fisionomia Oculta), nas mãos por quiromancia, assim como assinatura das estrelas “astrologia”, do fogo, piromancia, água hidromancia.. etc. Tais matéria são mais sintonizadas com ciências ocultas. A doutrina dos augúrios, ainda difundida por Cornélio Agrippa. Aí se vai para a doutrina da cabala e a linguagem volta ao metafísico. Por fim, sou neo-renascentista, nesse sentido.

(Resumo de programa de rádio Filosofia é Liberdade, da rádio comunitária Liberdade FM, 87,9, de São Bento do Sul/SC, apresentado junto a Cléverson Israel Minikovsky)

domingo, 19 de agosto de 2012

Filme Poder além da vida


Filme “Poder além da vida” e a filosofia do aqui e agora


            Ao pegar esse filme na locadora, pensava eu que encontraria algo espírita ou de ficção científica. Não era. Por fim, encontrei uma metanarrativa da intuição que falava para um homem. Esse rapaz vivia uma vida de festa e mulheres, onde seu apartamento era visitado por moças e a bebedeira com amigos era constante, apesar de ser ginasta olímpico. Ainda novo, não havia participado de nenhuma, porém agora pela falta de sono foi comprar algo em posto de gasolina pela madrugada e encontra um senhor misterioso, que lhe dá lições de sabedoria. A vida do rapaz se vê transformada, com novos paradigmas e uma nova cosmovisão. O senhor faz espécie de magia, estando hora no solo e noutro momento no teto do ponto, o que surpreende o rapaz, que vai embora perplexo.
            Vida de muito treino e certa diversão, nada faria o ginasta olímpico mudar a não ser encontrasse alguma crise maior em sua vida. Ele volta ao posto e recebe lições de sabedoria do seu novo amigo mais velho, que parece um pai que o moço não possui. Chama-o de Sócrates e este o ensina de começo perguntando se ele é feliz. Isso me lembrou Aristóteles e mesmo um certo toque de Epicuro, mas por fim o rapaz acabou levando uma vida mais casta, parando de exagerar em seus hábitos e evitando bebida e sexo desenfreado, costume já usual. Assim passa por uma séria de testes de humildade e parece também desenvolver poderes psíquicos, como projeção astral e leitura de pensamentos. Começa a perceber o que amigos pensam, e seu pessimismo revelado. A lição principal é para ele viver o “aqui e agora”, sem mais nada pensar, e assim fazendo consegue se o melhor no instrumento cavalo com alças, um que não era sua especialidade, haja vista amigo ter se contundido.
            Algo inesperado, porém acontece, após a revolta do rapaz com seu mestre, de modo que sofre acidente de moto, após nova farra. Isso nos leva bem a lição de moral, não de viver a vida, mas do excesso. Nenhum excesso e bom, segundo Aristóteles. E muitos filósofos falam na temperança, o que não parecia existir nesse jovem atleta. Assim prestes a ir a Olimpíada,acontece de ele ficar inválido e desenganado pelos médicos. Tenta se suicidar, ao subis na torre de uma igreja. Volta de bengala a procurar apoio e só encontra em seu velho amigo, no Sócrates. Voltou a treinar em argolas que foram construídas em sua residência, e assim com muito esforço consegue dar a volta por cima. Uma lição de vida que reflete o autor do livro e personagem real da história. Nos extras ele fala que ampliou um pouco os diálogos.
O filme nos leva a crer que há algo superior que encontramos na concentração, numa conduta bem afastada daquela da nossa vida moderna, com seu hedonismo desenfreado. E o atleta não compete por medalhas, mas para vencer no seu destino, para viver cada momento como se fosse único, e perceber as coisas cheias de plenitude, a vida que rodeia com suas maravilhas, antes despercebidas. Um bom filme para elevar o astral. Boa fotografia em cenas finais e efeitos de surpresa e de mudança de narrativa, o que dá mais movimento ao drama. Bom para quem gosta de algo diferente e que faça pensar, não apenas para acompanhar a pipoca e refrigerante em divagação irracional. Um atleta sempre revela uma história de superação, mas muitos se desviam do caminho e sofrem grandes quedas, piores que as quedas em sua atividade esportiva. As quedas de espírito são as piores. E viver a totalidade do momento faz com que se perceba o Todo, que dá poder e sucesso.
           

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Raça e racismo

Raça e racismo

Vemos que sob ponto de vista ocultista as quatro letras do nome de DEUS (IEVE ou Javé/Jeová) representam as 4 raças que estariam nos 4 pontos cardeais – Ao norte a raça branca, ao sul a negra, ao leste a amarela e ao oeste a vermelha.
Cada uma dessas raças realizou uma evolução em separado e cada raça possui sistema próprio para se elevar a iluminação. Daí que alguns místicos ocidentais perceberam que alguns sistemas orientais não servem ao homem ocidental, como o exemplo do exercício respiratório usado por Max Heindel.
A Europa caracteriza um continente completo, enquanto os outros são restos de civilizações antigas. Vemos assim as extintas raças atlante e lemuriana, que ainda aparecem em religiões e mitologias, sob histórias de gigantes e de homens que tinham contato íntimo com seres celestes. Em Noé da Bíblia vemos um Atlante, e talvez em uma descrição de guerra de anjos uma forma de descrever lutas entre magos daquela raça. Também, Enoc possivelmente era da raça atlante.
A raça egípcia original era vermelha, e seu remanescente se encontra no Peru. Ambas têm pirâmides, hieróglifos, esfinges e outras características semelhantes.
Quando um continente desaparece na Terra, e uma raça, outro surge em hemisfério oposto. E cada raça passa por fase de infância, juventude, maturidade e velhice.
O racismo se supera por vivermos numa casa comum que é a Terra e principalmente pela cultura, que mostra a diversidade artística a que possuímos e a paz possível. Com as lições de guerras históricas, aprendemos que não é a raça o norte para a salvação. Jesus teria aceitado diferentes raças entre seus discípulos, e os três reis magos seriam de três raças.
A Terra é resultado de 4 planetas cristalizados, e assim surgiram as 4 raças. A raça branca surgiu depois e foi tratada como a escuridão da história por outros povos. A raça branca teria nascido no polo norte.
Em cada planeta habitado, dos sete a que passa uma ronda, há 7 raças raízes e 7 sub-raças, e assim ao fim dessas raças há sempre um cataclismo, uma catástrofe natural, que põe fim a raça. O relato do dilúvio e de certos asteróides falam do fim dessas raças, isso relatado por tradições antigas e iniciáticas. No meu livro Bíblia e misticismo falo dessas 7 raças como os sete Adões.  
O racismo em muito retrata reminiscência arquivadas nos gens de antigas batalha por expansão territorial. Os Cruzados foram e voltaram muito templários, trazendo da raça árabe os conhecimentos ocultos, reprovados pela Igreja.
As primeiras raças dos homens teriam sido de corpo espiritual ou astral, e mesmo outras hermafroditas e nascidos do suor, segundo Vedas.
O racismo está sendo superado à medida que se tem mais conhecimento e que se procura a tolerância. Vemos que a cultura tira o preconceito.

(Excerto de programa de rádio Filosofia é liberdade, que passa aos sábados às 21:40 horas, apresentado junto com Cléverson Israel Minikovsky)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Atraímos aquilo que respeitamos

Atraímos aquilo que respeitamos


Atraímos aquilo que somos. A nossa aura se envolve daquilo que se identifica, de modo que plasma a troca de energias com outros seres, objetos e indivíduos. E respeitamos aquilo que somos, é o nosso espelho que está naquilo que respeitamos, um espelho moral.
E respeito é uma forma de tornar relevante o valor do ser humano, sua dignidade. Há respeito quando não mais se trata o outro como objeto, como meio para satisfazer o próprio ego. Quando satisfazemos o ego usando das pessoas não mais as estamos respeitando, e assim as afastamos.
A lei hermética da polaridade funciona à medida que o mundo é mental, então atraímos pelo pensamento. Claro que isso não significa que por eu pensar um avião caindo o mesmo agora irá cair aqui encima da rádio. O processo envolve contato com subconsciente e com leis cósmicas muitas das quais ainda desconhecidas da humanidade. Antigos magos e alquimistas conheciam essas leis, e mesmo o magnetismo universal, o grande agente mágico, azoth.
A parapsicologia fala em telergia, que seria uma energia muitas vezes materializada, em raio de ação (que move objetos etc) espécie de fluido ou vapor, que muitas vezes cria vultos e fantasmas. Essa energia parece que envolve as pessoas em determinada célula e que faz as trocas de pensamentos, intuições, atrações. A paixão e o amor se devem em grande parte por esse agente de atração. E sem respeito não há relacionamento.
Também às vezes atrai o que desrespeita. Vemos que inimizades criam muitas vezes laços tão fortes quanto amizades e ódios são tão fortes quanto amores. Nada mais verificável que maldições, invejas e outras ações para atrair e isso tudo por desrespeito, por não conciliar o diferente, uma metanarrativa diversa do difamador.

Nietzsche disse que por admirar demais as virtudes dos outros, podemos perder o sentido das nossas. Antes de tudo devemos assim nos respeitar, fazer com que sejamos respeitados. Apenas respeitar os outros pode ser ato parcial, pois podemos pelo auto-desrespeito não gerar confiança. E na desconfiança há a repulsão, não a atração.
Geralmente o que atrai é o interesse, seja por prazer, dinheiro, vantagens várias. O respeito fica geralmente para segunda opção e as pessoas cada vez mais se lançam de cabeça no primeiro impulso. Na atração sexual é muitas vezes o desrespeito que a coisa acontece, não no respeito.
Disse Emerson que devemos desaprender nosso conhecimento do mundo. Vejo que uma série de preconceitos geram a atração e aquilo que se respeita, pois muitas vezes se respeita o rico desonesto e se desrespeita o trabalhador humilde e honesto. A aparência das vestes, o carro novo, tudo isso gera mais respeito, mas um respeito ilusório.
Raimundo Lulio disse quem obedece o não sábio, não é sábio. Poderia se dizer que  quem respeita o não sábio, não é sábio.
Sêneca disse que é tarde para poupar só quando resta o fundo da garrafa. Vemos que se deve respeitar enquanto temos a estima das pessoas, e quando vemos seu real valor, não por interesse, mas pelo que realmente é.

(Programa de rádio Filosofia é liberdade, que vai ao ar aos sábados 21:40 horas)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A vida como cálculo matemático

A vida como um cálculo matemático



A vida começa por uma via espiritual, pela unidade, o número 1, e pela trindade, do número 3, que ajusta a imperfeição da dualidade do número 2 (pela soma de 1 mais 2). Isso é um ponto, que podemos ver na letra hebraica Iod, o princípio masculino, e ainda podemos ver na década do número 10, uma volta a unidade. Esses números são Deus, ou as suas emanações ao menos. Principalmente a década e a unidade, que retratam a totalidade de tudo, em especial da vida, pois há um Princípio Vital e que podemos ver no Cósmico.
Os números representam ou mesmo são as ideias platônicas. Logo a vida é um cálculo matemático em especial em sua origem, em sua Alma ou mesmo essência. O cálculo revela a coisa-em-si, porque tudo tem seu número.
Já a vida biológica se inicia na reprodução. Macho é 3 e fêmea é 2, e casamento é 5. Assim entendiam os pitagóricos. O código genético, o mapa da vida foi descoberto por um grande cálculo, e o humano por um grande computador, especialista em cálculos. A Vida por fim se revela comprovadora do grande geômetra do universo que é Deus.
Vemos no espermatozóide uma unidade e que vai se multiplicando ao fecundar o óvulo. Há uma progressão geométrica que vai fabricar o ser vivo, essa forma que manifesta no mundo fenomênico a vida, por a vida é através de um ser vivo. Mesmo a estética e a beleza se referem a um cálculo matemático de proporção e paralelismo, dos olhos e do corpo, seja por seus membros ou de movimentos, o que estimula o encantamento da paixão, que deseja por fim uma perpetuação daquela beleza geométrica e matemática. A arte sempre tentou retratar essa geometria e esse mistério da vida.
Nos Vedas o ciclo da vida universal está em 4.320.000.000 de anos, sendo que ao fim chega a noite de Brahma, chamada Pralaya. Isso se faz em ciclos que se renovam, então não há fim absoluto.  Físicos colocam em 12 bilhões de anos o tempo de nosso universo, desde big bang. A vida teria surgido em determinado era e se desenvolvido à partir de organismos muito simples, ou mesmo vegetais simples. Isso tudo tem tamanha harmonia que podemos pensar em um cálculo para comprovar a vida. Há uma grande arquitetura, e podemos pensar na Criação como uma geometria, já presente em muitos minerais, com formas geométricas extraordinárias, matematicamente simétricas.
Não só o pitagorismo, mas a cabala já faz de longa data um cálculo sobre a vida e a realidade, mesmo até de anjos e outras coisas, que podem ser calculadas pelo seu nome. As dez emanações ou sephiroth explicam muita coisa, e a gematria seria uma forma de encontrar nas Escrituras correlações numéricas que trariam significados e interpretações adicionais.


A vida é um cálculo matemático resultante da própria noogênese dos seres vivos, especialmente dos animais e seres humanos. Vemos o cérebro como um grande matemático e a objetividade pela experiência resulta em segurança na permanência da vida.
A vida é tamanhamente manipulada por planos, em cálculos, padrões culturais e uma série de comportamentos padronizados que as vezes é de se duvidar da liberdade humana. Há um verdadeiro adestramento e parece que os genios da humanidade conseguiram fugir um pouco dessa grande manipulação mental.
A vida é calculada quando não é usufruída. Percebemos que as pessoas mais controladoras e calculistas acabam por se frustrar muito ao sofrer algum abalo em seus planos. Pelo contrário, quem se deixa levar pelo momento e deixa fluir energia acaba até atraindo mais possibilidades e oportunidades. O controle afasta, pois ninguém quer ser controlado, ninguém quer ser calculado.
Vemos que as pessoas são julgadas por sua utilidade na medida em que colaboram para esse ciclo vicioso de consumo e de manutenção dos donos do poder. Uma série de condicionamentos e padronizações absurdas são travadas, e cada vez mais a massa é quem é manipulada por uma série de vícios e modas, e em ano eleitoral colocada no estribo.
Por outro lado, o adepto, o mago, entre outros, até os condicionamentos vitais e naturais conseguem superar. Basta pensarmos no Sadu indiano ou no faquir

(Resumo de programa Filosofia é liberdade, apresentado junto a Cléverson Israel Minikovsky, aos sábados, 21:40 horas)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

POLITICA COMO RELIGIÃO CIVICA

Política como religião cívica


            A política identifica o cidadão, e está como uma prática no exercício de seus direitos e deveres. Platão na obra A República fala que aqueles que são para governar são de ouro misturado a sua composição, aos auxiliares prata (servidores públicos), e ferro e bronze aos lavradores e trabalhadores (braçais). Isso se relacionava as três almas, a racional (ouro), a irascível (prata) e a concupiscível (bronze).
Os governos são classificados por filósofos e cientistas políticos em três formas: o de muitos que governam, o de poucos e aquele de um só. Ainda estes são divididos em bons e maus. Assim tirania seria o mal de um governante, oligarquia de poucos (plutocracia), democracia o bem de muitos. Maquiavel teria superado essa divisão de bom e mau governo. Sempre houve uma exaltação da monarquia. Parece que a monarquia interage mais com a religião, sendo o rei um representante de Deus. Por isso das vestes de mago do rei. E houve reis que curavam por imposição de mãos, que operavam milagres.
Aristóteles fala que a demagogia é um governo viciado para a república. O homem como animal social e o único que tem o dom da palavra. Política é na maioria uso de retórica e oratória, e convencimento. Tristemente hoje vemos mais falsas promessas e enganação que bom convencimento, isso pela falta de preparo dos que arvoram no campo político.   
 A virtude pessoal fará o bom governante. Fala Platão em temperança, que seria uma virtude exigida a quem governa. O que falta do tirano é a temperança, daí do perigo de este estar em posto de poder. Por isso o sábio no governo seria a melhor opção, e para tal a sua vida pessoal e autocontrole são indispensáveis. Não pode alguém governar um Estado quando o mesmo não governa a si mesmo.
Segundo John Locke o maior objetivo da política é a superação do estado de natureza e a preservação da propriedade. E também elaborar leis. E tirania ou ditadura seria governar além do direito, um poder além do direito, logo não legítimo ou reconhecido pelos comuns.
Thomas Hobbes fala em lei natural onde o lobo que o homem é do próprio homem. Também que o governante não deve apenas conhecer uma pessoa ou outra, mas o gênero humano. Para Hobbes as formas de governo só mudam no nome, superando também sua dicotomia de bons e maus.
Segundo Maquiavel. Quando os ricos veem o poder das massas eles buscam eleger um daqueles que compõem a massa. Assim vemos pseudo-esquerdas governando e à medida que enriquecem na máquina púbica, mudam naturalmente de ideologia, mesmo que não queiram. Ademais, pra mim não existe mais esquerda e direita: existe pobre e rico, e esses são os primeiros partidos políticos que um cidadão compõe.
Eu estava lendo um livro de comentários aos Vedas, dos Hare Krishna, onde tratava de governos e reis, de modo que denuncia que vivemos numa espécie de era das trevas, ou Kali Yuga, onde governos seriam corruptos, pessoas viveriam sem ética e a moral seria distante de Deus ou da religião. Nada mais verdadeiro, uma vez que o sábio e santo não está mais no governo, e nem é a sabedoria o valor. Hoje mais a aparência e o dinheiro contam, e convencimento por palavras astutas.        
Fala-se assim de pais contra filhos, e brigas por qualquer quimera, por qualquer dinheiro. Vivemos um apocalipse e a política e costumes atuais demonstram essa decadência de valores. O cidadão tem na política uma apostasia daqueles valores cristãos a que fora educado.

(excerto do programa Filosofia é liberdade, que vai ao ar 21:40 de sábado, na 87,9 FM, junto com Cléverson Israel Minikovsky)

domingo, 24 de junho de 2012

Maçonaria e São João

Maçonaria e São João



                Hoje é um dia comemorado nas lojas maçônicas do mundo, pois é o dia de seu padroeiro: São João. João além de ser aquele que batizou Jesus, também era aquele que escreveu o evangelho mais místico, além do Apocalipse, apesar de serem supostamente pessoas diferentes. Como tudo na maçonaria, mais vale o símbolo. E assim fugi um pouco da caipirice, apesar de ser eu também meio caipira em sotaque. Adentro nessa que é a fraternidade iniciática mais famosa da história, dos irmãos do esquadro e do compasso. Sendo em princípio ordem de construtores ou pedreiros, se tornou uma ordem filosófica com a influência de rosacruzes e assim busca a evolução e progresso da humanidade, e a fraternidade entre os homens, conciliando suas diferenças. São João estimava muito a fraternidade, e por isso ter ficado como padroeiro. E na verdade é o São João de Jerusalém João Smoler) o patrono, que era protegido dos soldados da Cruzada, e viveu em torno do ano 500 de nossa era, fundando hospital e Ordem de Cavaleiros Hospitalares.
            Ao serem abertos os trabalhos ritualísticos de uma loja, ou mesmo ao se chegar em uma, se deve proferir o nome de João. Vemos que o símbolo não é sem sentido, pois João/Ioannes significa porta, portal, e assim podemos pensar na iniciação. A maçonaria não é religião, mas nem por isso deixa de ter seus ritos com simbologia cabalística, alquímica, remontando as escolas de mistérios da antiguidade. A iniciação é morte simbólica e assim João foi decapitado. Espíritos de elevada hierarquia como anjos dizem aparecer apenas a sua cabeça. A iniciação poderia ser comparada a uma conversão religiosa (semelhante ao batismo de João Batista...), apesar de que aqui falamos em um grupo de homens com mentalidade semelhante, e ajuda mútua. Também vemos no céu a estrela Orion identificar a simbologia de João, que seria comparado a Leão/Judá, assim rei e também a Salomão. Não sem sentido, a loja maçônica imita do templo de Salomão, e seu principal herói é Hiram Abiff, líder na construção nesse templo.
             Na verdade a comemoração é de solstício (mudança de estação de inverno e de verão...) e usa de um João para o de verão (Evangelista, 24 de Junho) e o de Jerusalém para o de inverno (27 de dezembro). Os solstícios indicam dias e noites mais longas ou curtas e assim portais para o céu. De grande importância ritualística. Assim a fraternidade dos filhos de uma viúva pode se dedicar a essa comemoração, que hoje em especial é venerada no  mundo todo. Não apenas comer doces em festa junina, mas relembrar a obra desses grandes iniciados, esses vários João (Evangelista, Batista e de Jerusalém..) e assim divulgar o amor e a fraternidade humana, para que siorvam de exemplo por suas obras que marcaram a história. As lojas maçônicas tem a comemorar pois o João Smoler fundou ordens de cavaleiros e hospitais, e ainda tinha relação com os Templários, os quais foram a base da ordem Mac.’..

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Anjos e demônios: diferentes mas semelhantes

Anjos e Demônios: diferentes mas semelhantes



                Eu estava lendo ontem um livro de Ambelain sobre teurgia e percebia que a diferença que colocamos entre esses seres ou forças inteligentes a que batizamos de anjos e demônios não é tão gritante assim. Mesmo porque a noção que temos de anjo vem da palavra grega daemon, que em tese seria a mesma coisa. A descoberta recente é que as esferas ou sephirot da cabala são a mesma coisa que os anjos, ou seja, intermediários entre Deus e a humanidade. Na prática claro que existem diferenças, mas também muitas semelhanças, principalmente quando se pensa na queda dos anjos.
            Comecemos pelo princípio. Deus não se “contamina” com a imperfeição, logo usa de trabalhadores, arquitetos espirituais para trabalhar a Criação: os anjos (noutras culturas chamados de devas, demiungii, logoi, deuses etc..). Alguns desses anjos forma chamados de demônios, apesar de que em verdade o que poderíamos entender por daemons seriam os antigos “deuses’, espíritos de goécia, que tanto atraiam feiticeiros na Idade Média. A diferença básica entre anjos e demônios é a seguinte, e não se trata de um ser bom e outro mau, pois uns podem ser maus e outros bons: a diferença é que demônios são criativos e criam leis novas, e anjos obedecem às leis a que foram inseridos. Desde modo, nos aparentamos mais com os demônios que com anjos, haja vista as transformações que operamos nas leis.
            Na Bíblia, em muitos contatos com o Senhor, na verdade eram os anjos que travavam contato com profetas. Também no livro de Jó se vê Satã servindo ao Senhor Deus e em episódio de Moisés no Egito e no êxodo, se vê magia que parece usar deles, o anjo da morte e mesmo as pragas, que são trabalho que possivelmente somente essas entidades demoníacas fariam. Assim vemos que ninguém é inútil no mundo, ou nos mundos. Sabemos que existe a redução da luz divina, mas nunca a ausência da luz. Mesmo nos piores seres sempre há uma semente de esperança, e seja em anjos caídos, em daemons fiés a ordens de pragas do Egito, anjo da morte fiel, ou no demônio que matou esposos de Sarah, anjo que anunciou Jesus a Maria e outros, sabemos que todos esses seres participam de nossa realidade, trazendo o infinito em emanação. Mas na cabala os anjos são chamados de “animais sagrados”, o que nos leva a crer que a aparência não nos deve ser norte de julgamento, nem maniqueísmo de bem e mal. 



quarta-feira, 18 de abril de 2012

Nascimento sob ponto de vista místico

Nascimento sob ponto de vista místico


Do ponto de vista Rosacruz a vida tem início com o primeiro suspiro, ou com o primeiro sopro, inalação de ar pelos pulmões, e assim se dá a encarnação da personalidade-alma. Parece que assim se entre em sintonia com a Bíblia e a criação de Adão, com a vida em nefesh que se deu pelo sopro.
O nascimento de Jesus foi anunciado a Maria e mesmo a José pelo anjo Gabriel, responsável por essa mensagem. O livro cabalístico do Zohar diz que todas as crianças que estão para nascer são anunciadas pelo anjo Gabriel. E a Virgem Maria foi segundo alguns preparada para esse nascimento especial. De certo modo todos os maiores mestres espirituais nasceram de virgens, desde Krishna, Zoroastro, Hórus, Buda e outros.
Após a Páscoa, que comemoramos recentemente, em torno de 9 meses depois, nasce o Cristo no Natal. O Cristo Cósmico nasce e morre nos solstícios e equinócios solares. Então a morte do princípio Cristo ressuscita no Natal, quando toda a natureza comemora a esperança da sua manutenção, da vida que vem daquele que está Vivo. O Cristo Interno nasce quando o homem se torna um novo homem pela sua regeneração espiritual. O nascimento no mundo material é a morte do mundo espiritual e a morte no mundo espiritual é o nascimento no mundo material.
O cesto de Moisés, que foi abandonado no rio Nilo de certa forma representava o útero materno, e o encontro da egípcia foi a possibilidade do nascimento do Judaísmo dentro do Egito. As águas são o líquido amniótico e o útero é o cesto que protege o bebê dos malefícios externos.
A arca de Noé é também a representação de um especial útero, onde nascem todas as espécies, sendo em hebraico chamada de Thebah, a matriz. Também a arca da aliança é uma espécie de útero, onde está a Torá especialmente protegida para que nasça a palavra de Deus, ao ser lida pelo santo, tsadik. E a arca é guardada por anjos, querubins estes representados em sua parte externa. Pela igreja os querubins ou anjos têm a aparência de pequenas crianças. E a Tora ou a Bíblia se inicia com a letra Beth hebraica (de Bereshit, no princípio, no Gênesis), feminina, que é a casa, ou que podemos ver como um ninho.
A iniciação é um modo de ao mesmo que se passa por uma morte simbólica, também se encontra um nascimento simbólico para outro nível de consciência. Em diversas fraternidades isso é representado através de rituais e em muito simboliza a transformação da morte física para renascimento no mundo espiritual, ao exemplo de Osíris no Egito e tantos outros, como Cristo que sobrevive a cruz e supera a morte na matéria (que representa a cruz). O conhecimento dos mistérios revela os segredos da vida e da morte.
Também no símbolo do ovo vemos uma origem e nascimento do Universo, esse que tem relação com a serpente. A física também vê antes da origem  do universo em seu Big bang uma espécie de massa uniforme, esta numa espécie de ovo. Antes da Criação, segundo esotéricos e mesmo com a cabala, havia a água do caos, sem forma e vazia. E em várias mitologias esse ovo tem relação ainda com a serpente, que vemos no livro inicial mosaico, o gênesis. O nascimento surge então das águas, do ovo ou útero e se alguma serpente (o espermatóide..espermatozóide tem aparência de serpente). O grande universo se reflete no pequeno, o céu é imitado no corpo do homem.
E o nosso corpo material, um dos quatro, é filho da Mãe terra, e nascemos de átomos organizados pela Inteligência Cósmica, reaproveitados, que é o que muitos chamaram de pó. Viemos desse modo e nessa interpretação, do pó e voltamos para o pó, mas apenas nossa porção material, não a espiritual ou alma.
Na astrologia o signo zodiacal relacionado a maternidade é o de câncer, pois o caranguejo representa o útero materno. E é comum cancerianos serem muito afetivos e cuidadosos com seus filhos e família.

Excerto de programa de rádio "Filosofia é liberdade", que vai ao ar aos sábados, as 21:40, na Rádio Liberdade FM

domingo, 8 de abril de 2012

Sistemas de Magia.. em livro Sociedades Secretas e Magia

Sistemas de magia



            Uma classificação de sistemas de magia moderna e sintética existe em Liber KKK, dos caóticos Iluminados de Thanatheros (IOT), onde há a bruxaria, o xamanismo, a alta magia, magia ritual e magia astral. Por motivos que já expliquei, considero a bruxaria diferente da feitiçaria, e aqui o termo mais correto é feitiçaria, e não bruxaria, pois essa última estaria mais em sintonia com o sistema Wicca. O xamanismo vemos muito na umbanda e no candomblé, que parece ser o sistema mágico mais usado no Brasil, e mais eficiente, talvez pela sua tradição africana. Já a magia ritual parece ser o que vemos mais em um sistema dogmático de magia, este presente em sociedades secretas, como a OTO, a Astrum Argentum. e a Aurora Dourada, e que nos referimos como um sistema cabalístico, com uso de pentáculos, pantáculos, círculos mágicos, armas mágicas e assim por diante. No mesmo passo vemos a alta magia, que esse sistema dogmático levado ao extremo, com operações envoltas em preparações cuidados e todo um sistema rígido. A magia astral requer não os instrumentos, mas mais a visualização e o encontro de estados alterados de consciência, e assim se chega a determinada gnose. Alguns autores se referem a xamanismo e suas experiências com tóxicos, o que não tem muito a ver com o que índios ou africanos fazem, uma vez que quem deveria ingerir qualquer coisa, mesmo a cachaça, seria a entidade, e não a pessoa.
            Voltando a sistemas de magia, há autores que se referem à magia eletrônica, a magia sexual, a magia angélica, e muitas outras formas de magia. Poderíamos nos lembrar de diversos grimórios e sistemas variados de uso da arte mágicka, e o sistema enoquiano pode nos vir como um dos peculiares nesse sentido. Assim há chaves enoquianas, de um alfabeto especial que parece nos abrir portas para o subconsciente, que segundo alguns são palavras muito poderosas. Outro sistema digno de nota e A Magia Sagrada de Abramelin, que nos revela os segredos dos quadrados mágicos. Por meio de tal se pode dominar espíritos e conquistar o que se deseja,  em especial após o contato com o anjo da guarda. Outro sistema é o de magia hermética, de Franz Bardon, que é uma forma parecida com cabala. Ainda temos sistemas xamânicos como o do Vodu, e mesmo outro mais prático, o do Hodu, e a diversidade vai longe. Também para quem acha algo demoníaco, existe o sistema de goétia, que já falei em outro capítulo, que é o contato com as legítimas entidades com esse nome. Também há magia planetária, magia zodiacal, com os sistemas condizentes as suas identidades. De certa forma por traz do véu de religiões há muita magia, responsável por transformações na realidade e pelos chamados milagres, que muitas vezes são atos de poder da vontade, ou mesmo interferência do mundo astral ou espiritual em nossa dimensão ou realidade. Assim egrégoras resultantes de crenças têm seu poder mágicko e os sistemas de magia que são condenados nada mais são que as revelações do que por outro lado se vê apenas como desculpa da fé, traduzido apenas como a fé das pessoas.

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(Retirado do Livro Sociedades Secretas e Magia, pela editora AG Book)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Carnevale e sua mística

Carnevale

        
Período e festividade que antecede a quaresma, esta última que vai até a Páscoa. O carnaval era chamado de entrudo pelos portugueses e consistia em jogar coisas nas pessoas que desfilavam, tipo tinta, água, farinha etc. Significa festa da carne, e em princípio era uma festa religiosa. Alguns entendem que era período que antecede a cólera de Deus, e por isso um momento para “aproveitar”. O motivo é óbvio: na quaresma se passava 40 dias em abstinência da carne (e parece que muitos também do sexo...), para cristãos, e ainda a quarta-feira de cinzas é clara representação da morte. É preciso assim aproveitar a vida antes dessa morte simbólica. Daí que são  importantes essas coisas para o iniciado.
         Mui semelhante a festas pagãs, o carnaval é aqui no Brasil a nossa marca registrada, e se eu falar que sou filósofo, certamente algum estrangeiro achará que sou festeiro em meus pensamentos. Pensando em divindades de fertilidade, fica claro que alguma festa com bebida e sexo havia, e muitas pessoas fazem isso todo o fim de semana, sem comemoração alguma. Então para o profano há apenas aí uma curtição e farra, enquanto que para quem compreende tradições ocultas há sim comemoração e de certas energias cósmicas, especialmente venusianas. Mas não acontece em mês de maio, o que nos leva mesmo a outras festividades que não puderam ser extintas pela Igreja, mas apenas adaptadas. Assim como deuses adaptados em santos e datas outras, vemos que o carnaval acabou sendo útil para anteceder a quaresma. Acontece que hoje devem ser poucos que “guardam” a quaresma nesse sentido de jejum e abstinência, e as pessoas vivem em “festa da carne”, não tendo mais sentido a festa, a não ser para a alta classe desfilar fantasias caríssimas e atores aparecerem na TV. A competição de escolas de samba é já uma arte, e talvez seja o que salva a identidade brasileira frente ao mundo, que é o carnaval.
         De longe essa festa sempre me lembrou bacanais e orgias dedicadas a deuses como Dioniso, Baco e outros semelhantes. Também sabás medievais me são aqui bem claros, pela libertinagem e liberdade desse momento. Não devemos julgar moralmente tais feitos, uma vez que enquanto não há culto, há apenas uma festa da carne, talvez inocente. No oriente existia algum ritual tântrico talvez que se assemelhasse a essa festa, mas claro que de mão esquerda. Mas com a sexualidade banalizada e o profano substituindo qualquer forma de sagrado, seja cristão ou neopagão, não vemos mais que uma festa semelhante a outras festas. Não tem a proibição dos sabás das bruxas e nem tem a compensação que antecede a quaresma. Aqui no sul do Brasil, em cidade de colonização alemã e polonesa, nem ao menos há carnaval. As pessoas aproveitam para descansar, porque trabalham por aqui muito, e ainda outros passeiam para a praia, para se bronzear e aproveitar depois a sua carne. O que há de semelhante ao carnaval por aqui é a festa do rock em Rio Negrinho, onde alguns também tiram a roupa, e a festa vai por 4 dias sem parar e com muita bebida.
         Nas festas das bacantes, que cultuavam a Baco, havia toda a ausência de regra, e parece que também algum lesbianismo. Na terra de Safo e suas seguidoras, bem como de toda o gosto de mesmo gênero, não há de se estranhar que algumas moças se divertissem mais do que o limite. Isso regado a muito vinho, só poderia resultar em algum bacanal. Vemos ainda em certas sociedades secretas a referência a essa dinâmica de Afrodite, claro que de uma deusa negra, mas mais realista e material. O carnaval é assim talvez o resquício de muitos costumes que adaptaram partes dessas iniciações que claro tinham em origem motivo religioso, mas que com o tempo foram perdendo o significado. Com a Igreja e suas fogueiras, restou apenas alguns dias para justificar e compensar a quaresma, que são 40 dias para preparar-se para a Páscoa (ressurreição de Cristo). Por outro lado, as iniciações a Baco e Dioniso também requeriam certa transcendência, mesmo que fosse uma provocada pelo vinho e pelos sentidos. E festas pagãs parecem ter entrado, com suas fantasias (máscaras), e todos os outros paramentos coloridos e simbólicos. Trocas de papéis também eram feitas, como o rei vestir-se de vassalo e o vassalo de rei. Mas 40 dias tem grade significado bíblico e ainda iniciático.
          Pessoalmente vejo que esse ano para mim se inciou como um carnaval. Não pensava eu que buscasse ainda algo de Afrodite com tanto empenho, mas vejo que devido a certos fatos, comunguei com a deusa, equilibrando a taça com a espada. Também é fato que houve uma união alquímica e que assim fui encaminhado no mercúrio filosofal, e que ainda a matéria bruta se tornou um elixir dedicado a momentos de eternidade ou samadhi. No mais estou quase adepto de alguma gnose que foi por tempo perdida, e que aos poucos desejo encontrar, para conversar com agatodaimon (e controlar cacodaimon). O carnaval para mim antes não fazia sentido, mas por algo que me guiou esse ano, poderei contemplar esse fogo abrasador que não se apaga no templo, porque apaga-lo é cometer sacrilégio. Esses já esquecidos adeptos do fogo-luz agora ressurgem naquele que na terra do carnaval nasceu. O Logos surge interno e fala com uma espada de dois gumes, e seus olhos são chamas, e seus cabelos de coroa de luz, e é mesmo escrito seu nome no livro da Vida. O Sol está em sintonia com a Lua, e o Rei se abraça com a Rainha. Carnaval é assim apenas uma visão profana e distorcida desses mistérios.